A moda e o ativismo de conveniência.

Como identificar se a militância de determinadas marcas é real ou não passa de mais uma de suas coleções?


Os desfiles de moda sempre trouxeram não apenas inspiração para o mercado, mas também uma forte influência no que diz respeito aos padrões físicos e estéticos das modelos em cena.


Desfile de moda no ano 1932, exclusivo e para poucas pessoas (Fonte da imagem: Vancouver 125)

Marcas como Victoria‘s Secret sempre buscaram vender, além do produto, a vontade de se parecer com as mulheres que desfilam suas peças. A própria publicidade em si sempre trouxe um ideal estético predominantemente branco, heterossexual e com um perfil físico magro, muitas vezes ao extremo.


A representatividade étnica, estética e de gênero é uma conquista que vem ganhando mais espaço nos tempos atuais e fomenta um forte ativismo principalmente nas redes sociais. Além de serem utilizadas como veículo de protestos e denúncias, essas plataformas acabaram se tornando palco de grandes mobilizações em prol da igualdade, do respeito e da inclusão em diferentes meios sociais.


Desfile da LAB no SPFW 2019, com Emicida (Foto: Charles Naseh)

Muitas das marcas faturam boa parte de suas vendas através de seus canais digitais, sobretudo após a pandemia da COVID-19 que impossibilitou ou limitou as atividades presenciais. Com isso as empresas acabam sendo mais cobradas tanto para se posicionarem quanto para corrigirem determinadas atitudes, caso contrário podem cair na cultura do cancelamento e terem prejuízos significativos.


Mas essa abertura à inclusão e à diversidade é mesmo real? ou seria mais uma forma de capitalizar uma pauta e lucrar com isso? Para muitos ativistas e pessoas que militam nessas diferentes causas isso é um fato que precisa ser devidamente reconhecido para que essas lutas possam ser reais e não fiquem apenas nas etiquetas.


Uma marca que realmente se preocupa com a inclusão e a diversidade tem essas pautas incorporadas em seus valores, expandindo esse ideal para muito além das vitrines através de políticas internas que promovam essas ações, além é claro de ter em seu time a mesma diversidade que prega nos seus posts.


Nos desfiles de moda esse monitoramento é feito pelo site The Fashion Spot que analisa a diversidade das modelos contratadas em cada estação.


Aproximadamente 83% das modelos da semana de moda de primavera de 2015 eram brancas, enquanto em 2020 essa porcentagem caiu para cerca de 60%, indicando um tímido avanço nesse quesito.


Fila final do desfile de Isaac Silva, no SPFW n48 (Foto: Divulgação)

Além dos aspectos étnicos também é necessária a inclusão de gênero, dos deficientes físicos e intelectuais, de modelos plus size e muitas outras células que compõem a diversidade social que vivemos no mundo real.


Mas como saber se a marca que está postando militância no Facebook realmente é comprometida com as pautas que prega?


Existem diferentes métodos de conhecer os valores de uma empresa muito além da famosa “missão, visão e valores” que ficam nos seus sites. Uma das maneiras é ver o feedback que os consumidores dão para suas atividades. Isso é possível tanto nas próprias plataformas que na maioria das vezes oferecem um serviço de avaliação para o público. Outra maneira é através dos comentários que geralmente acompanham as movimentações sociais das marcas tendo uma reação quase que instantânea aos seus posicionamentos.


Existem também fóruns e sites de organizações que visam identificar as principais marcas que se comprometem de maneira eficiente para distingui-las daquelas que apenas o fazem por conveniência.


Esse comportamento muda os rumos do que chamamos de RESPONSABILIDADE SOCIAL, ampliando seu leque para muito além das obrigações básicas humanas para um novo patamar.


As conquistas da inclusão e da diversidade vem ganhando um significativo protagonismo e isso já é um grande passo, porém ainda existe muito o que conquistar para que de fato possamos ter uma moda e consecutivamente um mercado mais representado e fiel à sociedade.



Modelos da Fundación Open World na semana de moda russa 2017



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